Fenómeno O.T.O. / teatro ritual / mecânica do estigma

Fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis

O ritual como máquina fetichista

Este é um resumo abreviado, traduzido e revisto de uma subsecção de Der O.T.O.-Phänomen RELOAD. [1]



Robert Deumié — Ordo Templi Orientis in Canada — Memphis Misraim


Robert Deumié era proprietário do Café Thélème em Montréal e foi nomeado presidente da empresa O.T.O., Inc. e “representante pessoal do Califa” no Canadá depois de William Breeze ter sido eleito Califa. Deumié foi expulso do Califado por supostamente revelar alguns sinais e rituais secretos da Ordem num filme em língua francesa exibido na televisão do Québec em 1990.









O fetiche

Uso aqui “fetiche” num sentido deliberadamente amplo e não diagnóstico: não apenas como objeto sexual, mas como pessoa, persona, objeto, imagem, ritual ou arranjo investido de um excesso de valor e repetidamente recarregado pelo uso. Nas organizações ocultistas o fetiche pode migrar do objeto isolado para o aparelho como um todo: veste, insígnia, círculo, espelho, segredo, grau, gesto e público. A repetição mantém o aparelho vivo.

Um fetiche pode servir como via de acesso ao sublime ou como maneira de experimentar glamour dentro do próprio senso de si. A sua força não reside em qualidades fixas da coisa em si, mas nos atos recorrentes de visitá-la, usá-la, representá-la e confirmá-la. A sexualidade pode ser uma fonte dessa carga, mas não é a única.

O que importa aqui não é se o fetiche é sexual. O fetichismo sexual é apenas a sua forma mais visível. A característica decisiva do fetiche não é o que ele é, mas o que ele faz. A sua função, e não o seu conteúdo, é decisiva.

Um fetiche pode ser um objeto, uma imagem, um papel, um ritual, uma situação, uma hierarquia, uma ideia ou todo um arranjo de vida. O que o distingue de uma preferência comum é a necessidade. Ele não é apenas desfrutado; é requerido. Preenche, ainda que provisoriamente, uma lacuna na economia psíquica do fetichista e permite assim manter um equilíbrio que de outro modo estaria ameaçado.

É por isso que o fetiche é maior do que o indivíduo. A sua função não depende das qualidades únicas de outra pessoa. A pessoa pode apenas carregá-lo, representá-lo ou incorporá-lo. No exemplo sexual mais banal, o fetichista faz sexo com a máscara, e não com o indivíduo que a usa. O portador pode mudar; a máscara permanece. O que precisa permanecer constante é a forma capaz de desempenhar a função psíquica requerida.

Pela mesma razão o fetiche precisa ser visitado, usado, encenado ou frequentado repetidamente. Sem repetição ele perde a carga. A repetição, portanto, não é apenas hábito nem necessariamente a busca de prazer crescente. É manutenção.

Isso também separa esse fetichismo do fetichismo recreativo ou de fim de semana, cujas roupas e acessórios podem ser comprados num sex shop e guardados na segunda-feira de manhã. O fetiche aqui entendido é estrutural. Participa da manutenção da continuidade psíquica, da autorregulação e, em casos extremos, da capacidade do indivíduo de funcionar na vida cotidiana.

Até mesmo um sintoma pode, consequentemente, adquirir uma função fetichista. Um arranjo neurótico, um papel fixado ou uma identidade de doença podem ser preservados precisamente porque o seu desaparecimento ameaçaria um equilíbrio que passou a depender deles. Aquilo que de fora parece algo do qual uma pessoa deveria desejar libertar-se pode, por dentro, ter-se tornado a própria estrutura pela qual essa pessoa continua reconhecível para si mesma.

O fetiche, portanto, não é antes de tudo um estranho objeto de desejo. É um aparelho psíquico.

E, uma vez que se torna um aparelho, o ritual pode tornar-se a sua máquina.

O ritual não apenas expressa uma crença. Ele ajuda a produzir a experiência que depois é tomada como confirmação dessa crença.



Grady Louis McMurtry Caliph Caliphate Ordo Templi Orientis

Grady Louis McMurtry, Califa do Califado americano Ordo Templi Orientis



Aleister Crowley, fundador da sua própria religião e do seu O.T.O. mutado, foi — e continua a ser — um fetiche para muitos.
O seguidor de Crowley, Grady Louis McMurtry, adaptou-se visualmente ao aspecto "Orientis" de sua Ordo Templi Orientis. Ele se tornou membro de um grupo sikh, fundado por Siri Singh Sahib Harb Hajan Khalsa, também conhecido como Yogi Bhajan. O sikhismo é uma religião monoteísta que conserva alguns ingredientes hindus, como reencarnação e carma. O sistema de castas foi rejeitado, assim como a adoração de ídolos. Os sikhs reconhecem-se pelos seus turbantes e cabelos, incluindo pelos faciais que nunca são cortados. A reputação dos sikhs como guerreiros especialmente corajosos remonta ao século XVII. O Exército britânico favoreceu os sikhs por essas razões e os recrutou como soldados para os regimentos britânicos. Durante a luta pela independência da Índia, os sikhs foram encontrados em ambos os lados do conflito. Ainda hoje, os sikhs são considerados a espinha dorsal do exército indiano.
Em 1984, Indira Gandhi foi assassinada por seus guarda-costas sikhs em vingança pelo assalto ao Templo Dourado em Amritsar, que havia sido ocupado por fundamentalistas sikhs que exigiam um Estado-nação sikh separado.
A personalidade marcial de McMurtry transparece: ele se alistou voluntariamente no exército e serviu tanto na Segunda Guerra Mundial como na guerra da Coreia. Além disso, numa alusão posterior a uma carta que Crowley lhe enviara para a Bélgica, onde estava estacionado em 1944, McMurtry afirma: "Eu sou Califa porque sou um soldado." [2]
Crowley, por sua vez, deleitava-se com temas árabes e muçulmanos, seus rituais escritos para sua O.T.O. parecem ser povoados por figuras saídas directamente das Mil e Uma Noites.
Grandes eventos cerimoniais são encenados, imersos numa atmosfera secreta gerada por uma confusão de ingredientes, todos os adereços e símbolos que a maçonaria usa desde tempos imemoriais também são empregados para atingir os sentidos. Estranhas insígnias, longas fitas e túnicas negras esvoaçam em actos solenes de iniciação; ouvem-se batidas estranhas; pronunciam-se atribuições e missões cujo propósito permanece oculto.
Às vezes, os iniciados dos grupos da O.T.O. estão de olhos vendados. Atos difusos de consagração, vapores adocicados e nauseantes, nudez parcial e música enfática criam uma atmosfera que faz surgir na mente do participante a ideia de que a O.T.O. talvez tenha algo a ver com magia sexual. Turbantes, tendas, pilares fazem parte do repertório; há uma orientalização do Ocidente, embora se reduza o Oriente a uma identidade cultural atrasada. [3] Durante outros rituais, chicotes e armas são brandidos, couro, acessórios sexuais e uniformes são usados. Num vídeo que possuo de um ritual de Crowley, celebrado pelo Califado em Nova York, notam-se acessórios adicionais. Uma mulher de biquíni dança sobre um caixão. Ele abre-se e dele emerge nada menos que um Jesus Cristo completamente maquilhado.
No entanto, a maior parte dos rituais de iniciação da O.T.O. não vai muito além desse tipo de jogo de papéis para adultos. O mesmo se aplica aos rituais da Fraternitas Saturni. Para manter as emoções dessexualizadas, a libido concentra-se no cenário, nos rituais. Daí a atenção particular dada aos rituais de iniciação. Em termos psicanalíticos, pode-se ler isso através de um estereótipo familiar clássico: a O.T.O. como mãe e Crowley como pai. Nessa leitura, os membros podem amar o cenário — os rituais — como uma relação idealizada entre mãe e filho, enquanto insulto ou crítica são vividos como agressão da figura paterna (Crowley ou os críticos, dependendo da perspectiva). A ameaça de castração pertence aqui ao vocabulário interpretativo, não a um diagnóstico psicológico estabelecido.


A O.T.O. apropria-se de sinais selecionados de um Oriente imaginado e os redistribui como cenário iniciático: turbantes, tendas, títulos e personae exotizadas tornam-se tecnologias do jogo de papéis.



O cenário como máquina fetichista

O fetiche não precisa residir num único objeto. Pode migrar para o aparelho inteiro: veste, insígnia, círculo mágico, espelho, gestos, grau e cenário. O próprio cenário torna-se o fetiche. A sua eficácia depende da repetição — ele precisa ser visitado, usado e representado repetidas vezes.

A imagem abaixo não é a reconstrução de um acontecimento histórico, mas um modelo visual desse mecanismo. O Grão-Mestre não olha simplesmente para um espelho a fim de ver algo. Traje, grau, gesto e cenário primeiro o constroem como a pessoa autorizada a ver. O espelho devolve então a imagem do papel que o criou. Autoridade, traje, ritual e reflexo formam um circuito fechado no qual a performance fornece repetidamente as suas próprias provas.

O caminho gasto ao redor do círculo acrescenta a dimensão material: a repetição tornou-se arquitetura. O próprio chão tornou-se um arquivo da crença.

Grão-Mestre da Fraternitas Saturni praticando magia do espelho — comentário visual gerado por IA
A máquina fetichista. Um Grão-Mestre da Fraternitas Saturni pratica magia do espelho enquanto o ritual repetidamente encenado literalmente desgastou o chão. Comentário visual gerado por IA, 2026.

Os círculos mágicos tornam essa lógica arquitetônica. Eles atribuem corpos e aparições a zonas separadas, transformam a sala em palco e dão a um acontecimento invisível uma geometria visível. O mago fica num círculo; o anjo, demônio ou imagem projetada deve aparecer em outro. Apareça algo ou não, o arranjo já deu uma forma material à expectativa.

Círculo mágico em The Devil Rides Out
The Devil Rides Out, Hammer Film Productions, 1968. Dirigido por Terence Fisher a partir do roteiro de Richard Matheson baseado no romance de Dennis Wheatley de 1934. O filme é útil aqui não como prova de prática da O.T.O., mas como diagrama cinematográfico do espaço ritual: círculo, limite, adereços, perigo, expectativa e a recusa disciplinada de abandonar o cenário.
Círculo oculto em The Devil Rides Out
Círculo mágico — fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis
Círculo mágico em The Devil Rides Out

Os rituais

A importância dos rituais de iniciação não deve ser subestimada. Eles representam muitas vezes o amor materno (a ordem é a mãe, o líder é o pai) e, quando se trata de defendê-los, entra em cena a artilharia pesada. Por exemplo: é proibido a qualquer pessoa oferecer um dos livros que contenham esses rituais à venda na Amazon ou eBay como livros em segunda mão. As ameaças de acção judicial seguem imediatamente. "Fahrenheit 418." [4] Isso reforça o aspecto fetichista - e, consequentemente, aumenta o preço desses livros.

As seguintes passagens fazem parte da declaração de consentimento que o

Qualquer que seja a sua finalidade jurídica, a declaração de isenção tem também um efeito teatral. Antes que qualquer coisa tenha acontecido, a burocracia anuncia perigo, segredo e consequências. O documento jurídico torna-se assim parte do aparelho ritual: ajuda a ampliar o acontecimento que deveria apenas regular.



Califado exige para a admissão aos rituais:

"Eu entendo que todas as tentativas são feitas para minimizar os riscos existentes que são inerentes à natureza de algumas das atividades envolvidas por meio do uso de equipamentos adequados, instalações seguras e boas práticas de segurança. No entanto, também entendo que esses riscos não podem ser eliminados completamente.
Sei que, como participante das cerimônias de iniciação e de outras atividades da Ordo Templi Orientis, posso sofrer lesões corporais. Devido à natureza dessas atividades, os ferimentos podem ser de natureza leve a fatal. Algumas lesões corporais específicas que não são incomuns em tipos semelhantes de atividades estão listadas abaixo:
Parada de respiração; insuficiência cardíaca; acidente vascular cerebral; lesões na coluna e no pescoço (qualquer um dos quais pode resultar em paralisia); ossos quebrados; cortes e lacerações; sangramento; lesões oculares (que podem resultar em cegueira); convulsão; inconsciência; abrasões; desmaio; mal súbito; cólicas; perda de fôlego; afogamento; e aquisição de doenças transmissíveis. Além disso, existe a possibilidade de acidentes ou doenças durante as viagens de e para eventos.
Também compreendo que, como participante das atividades da Ordo Templi Orientis, posso incorrer em lesões não corporais, incluindo, mas não se limitando a: danos emocionais, psicológicos e sociais; e danos ou perda de propriedade pessoal.
Eu entendo que as listas acima não têm o objetivo de incluir todas as lesões que podem ocorrer, mas sim de me informar sobre os tipos de riscos inerentes à minha participação nas atividades da Ordo Templi Orientis, para que eu possa fazer uma escolha voluntária de participar ou não participar.
Eu declaro que estou participando voluntariamente de qualquer ou todas as atividades da Ordo Templi Orientis com pleno conhecimento dos riscos potenciais que elas apresentam, incluindo riscos de lesões corporais, emocionais, psicológicas e sociais, danos à propriedade e morte, e Eu, por meio deste, concordo em aceitar todos e quaisquer riscos de tais lesões corporais, emocionais, psicológicas e sociais, danos à propriedade e morte.
Eu concordo em não atribuir e isentar de toda responsabilidade a Ordo Templi Orientis, Ordo Templi Orientis USA e seus agentes, voluntários, oficiais, funcionários e diretores, por danos corporais, emocionais, psicológicos e sociais, danos à propriedade ou morte decorrentes da minha participação nas atividades da Ordo Templi Orientis. Também concordo em manter sigilo em relação aos procedimentos das cerimônias privadas de iniciação religiosa da Ordo Templi Orientis e aos documentos relacionados a essas cerimônias. Dou esta isenção e indenização em troca da oportunidade de participar das atividades da Ordo Templi Orientis.
Certifico que li este acordo, que ele me foi explicado e que posso estar abrindo mão de direitos legais que de outro modo teria. Eu reconheço que tenho pelo menos dezoito (18) anos de idade."
[5]

A potenciais candidatos ao VI° pede-se que “nos notifiquem imediatamente se qualquer uma das seguintes condições for verdadeira:
  1. Você tem _qualquer_ doença sexualmente transmissível, transmissível por via oral ou transmitida pelo sangue; ou se contrair qualquer doença desse tipo entre agora e o momento da iniciação.
  2. Você é hemofílico ou tem qualquer forma de anemia ou hipoglicemia.
  3. Você é incapaz, por qualquer motivo, de consumir álcool.
  4. Você está tomando qualquer medicamento com ou sem receita no momento de sua iniciação; especialmente qualquer medicamento com efeito anticoagulante ou que possa produzir efeitos colaterais indesejáveis quando tomado com álcool."



Coloca-se então a questão do perigo representado pelos rituais da O.T.O.: rituais inofensivos em si mesmos, que incluem pequenas incisões capazes de lembrar rituais escoteiros de irmandade de sangue.
Em 2005, conversei sobre isso com Bill Heidrick. Se ocorrer uma emergência psicológica durante uma iniciação, disse ele, ela deve ser interrompida imediatamente e deve-se procurar ajuda profissional. Mencionei recordações de tortura e abuso (flashbacks) que uma iniciação pode desencadear em membros de zonas de guerra. Além disso, apontei para fobias, ou seja, medos constantes e infundados de situações e coisas particulares, pessoas que sofrem de transtorno de stress pós-traumático, que revivem cronicamente o momento estressante causado por uma experiência real que tipicamente induz medo mortal.
Ele foi evasivo quando perguntei se os iniciadores são suficientemente treinados para perceber uma ameaça psicológica iminente para aqueles que estão para ser iniciados ou se eles estão devidamente equipados para lidar com uma emergência durante os rituais. Ele apenas disse que as emergências são "óbvias" e fez questão de deixar o assunto de lado.

Há alguns anos, na Alemanha, uma mulher iraniana foi iniciada na O.T.O. do Califado. Durante o ritual, ela se lembrou de ter sido torturada em seu país. [6] Possivelmente o ritual era o I°, durante o qual é preciso sentar-se na escuridão, dentro de água, para nascer de novo. O ritual foi interrompido imediatamente. Histórias semelhantes são contadas por membros que serviram nas guerras no Iraque ou nas regiões da ex-Iugoslávia. Aqui falamos da síndrome de stress pós-traumático. Existem duas opiniões no Califado: Heidrick geralmente atribui caráter terapêutico aos rituais iniciáticos, argumentando que esses rituais foram concebidos por maçons durante "tempos históricos muito conturbados". Outros membros de graus superiores admitem que os rituais nunca produziram quaisquer efeitos terapêuticos. Pelo contrário: "Posso contar dezenas de histórias de terror que deixaram iniciados com memórias terríveis e duradouras que podem muito bem precisar de terapia para corrigir." [7]

Em 2008, o Califado aceita apresentar aos sacerdotes e sacerdotisas oficiantes da Missa Gnóstica crowleyana os princípios das "categorias de diagnóstico psiquiátrico e abordagens básicas para avaliação de doenças mentais e questões de dependência de substâncias". Eles contemplam "ferramentas para trabalhar com intervenção em crise, aconselhamento de luto, resolução de conflitos e questões de sexualidade". Para alcançar esse objectivo, a Guilda de Psicologia cria os chamados Workshops de Aconselhamento Pastoral. [8] É claro que, em caso de emergência, a polícia deve ser chamada imediatamente.

Nos rituais de iniciação da O.T.O. de Crowley, há um momento semelhante de ingestão de sangue, como supostamente praticado num certo ritual maçónico de alto grau pelo menos até 1932. Se dermos crédito ao maçom Karl R.H. Frick, a pessoa a ser iniciada no XI°, [9] o Altamente Iluminado Eleito Companheiro do sistema da Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha, teria, de facto, bebido de um frasco de cristal o sangue dos polegares incisos dos seus irmãos. [10]
No ritual do III° da O.T.O. de Crowley, o iniciado bebe um pouco de sangue e láudano de um cálice. No ritual K.E.W. (Cavaleiros do Oriente e do Ocidente - uma espécie de grau intermediário entre o IV° e o V°), o candidato deixa cair algumas gotas de sangue em um pedaço de pano. No VI° uma cruz de Santo André é cortada no braço do candidato, o sangue é recolhido em um cálice. No V° o candidato deve ter uma rosa tatuada no peito.
Existem rituais de sangue para os thelemitas, mesmo fora do contexto das iniciações da O.T.O., Crowley projetou a Missa da Fênix. Apesar da aversão dos thelemitas pela cristandade e da luta contra o termo "Missa Negra", que supostamente é uma mera paródia e depreciação da missa católica, aos meus olhos a Missa da Fênix, entretanto, só por um fio de cabelo deixa de ser uma paródia.

“Tu, Criança,
Santo e imaculado é Teu nome!
Teu reino é vindo: a Tua vontade realizada.
Aqui está o Pão; aqui está o Sangue
Leva-me pela meia-noite até ao Sol!
Salva-me do Mal e do Bem!
Que Tua coroa una de todas as Dez
Mesmo aqui e agora seja minha. AMÉN.”


Depois, corta-se um sinal mágico no peito com uma faca ritualística, pressiona-se o Bolo de Luz (isto é, a hóstia feita de acordo com a receita de magia sexual) sobre o corte para que absorva o sangue, e come-se o bolo.

"Este Pão eu como. Este Juramento eu juro,
Enquanto me inflamo em oração:
Não há graça; não há culpa:
Esta é a Lei: FAZE O QUE TU QUISERES!”
[11]







Mais sangue e esperma correm em outros rituais de Crowley que também pouco têm a ver com sua O.T.O., Liber LXVI Stella Rubeae [12] por exemplo.
Além disso, os fetiches visualmente associados à sexualidade chamam a atenção. O esperma não se parece um pouco com o ectoplasma - algo inexplicável escorrendo dos orifícios do corpo, como é visível em fotos muito antigas?

Relíquias de contacto e relíquias corporais também figuram com destaque. Relíquias corporais são partículas do corpo de um santo; relíquias de contacto são objectos que estiveram em contacto com um santo. Assim, uma vez, surgiu a ideia de saquear o túmulo do fundador da O.T.O., Theodor Reuss, a fim de tomar posse de seu crânio como uma poderosa relíquia mágica. [13] Na Suíça, o ursinho de pelúcia de Hermann Joseph Metzger, os sapatos que ele usava, os pratos que usava quando criança, seu fez e a varinha mágica de seus longos dias no palco podem ser admirados atrás de um vidro no museu da O.T.O. suíça.


Foto à esquerda:
Friedrich Mellinger: "Zeichen und Wunder", Berlim, 1933, página fotográfica 46.
Friedrich Frederic Mellinger — Ektoplasma — ectoplasm


Um tipo diferente de fetichismo ocorre quando o chamado Satanismo e Crowley são projetados em um amálgama de profanações de cemitérios, crime ritualístico, Heavy Metal e Black Metal. No mainstream, esse tipo de fetichismo é particularmente apreciado. Especialistas autoproclamados, jornalistas e seu público em grande parte desinformado deleitam-se com tais fetiches. Brincar com fantasias geralmente cheias de violência e principalmente rituais de sangue e morte é muito popular. É claro que a perspectiva de um escândalo na mídia que se segue se transforma em um fetiche em si mesmo para todos os envolvidos.
Este é o terceiro tema: a construção de uma identidade através do estigma. Por ora, porém, outra ideia, muito brevemente:

Auto-indução: produzindo realidade alterada

Na versão de 2011 deste ensaio usei a expressão deliberadamente provocadora “esquizofrenia autoinduzida”. Hoje eu não a usaria como termo clínico. A frase também tinha ecos polêmicos mais antigos: em 1933 Mathilde Ludendorff afirmava detectar na O.T.O. uma “loucura induzida por ensinamentos ocultistas”. [14] O que me interessa aqui é algo mais específico: o cultivo deliberado de experiências anômalas — visões, vozes, correspondências, percepção alterada e significado intensificado — por meio de ritual, expectativa, drogas, meditação ou outras técnicas.

Muitos ocultistas, em particular crowleyanos, tentam criar ou entrar em realidades alternativas. As técnicas podem ser deliberadas e disciplinadas: ritual repetido, encenação sensorial, meditação, yoga, substâncias psicoativas, diários mágicos, correspondências simbólicas e a expectativa de que um acontecimento se torne significativo porque ocorre “sob a vontade”. [15] O resultado buscado não é a esquizofrenia como condição médica, mas uma experiência interpretada como percepção intensificada, contato ou acesso superior.

O pensamento por correspondências ou apofênico é especialmente importante aqui. Os sinais são lidos sistematicamente para que cada vez mais conexões se tornem disponíveis: nomes, números, acontecimentos, sonhos e coincidências podem ser incorporados à mesma rede interpretativa. Num quadro cabalístico, até uma forma de vida alienígena e um tomate podem ser ligados se o sistema produzir o mesmo valor numérico. O ponto não é que tal relação seja, por definição, clinicamente delirante, mas que o aparelho é concebido para fazer proliferar relações.

Isso pode criar dificuldades de comunicação com pessoas que não participam dos mesmos padrões de significado. Ainda assim permanece o desejo de estar ligado ao mundo mais amplo — e de ser notado por ele. O que se segue é a ressocialização pela escolha, negociação ou conversão de uma identidade baseada no estigma.

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Ressocialização. Identidade através do estigma

Estou falando aqui do papel que a sociedade atribui aos ocultistas: eles se transformam em Satanistas, outsiders, fora-da-lei, lunáticos, cobaias para académicos, personagens perigosos para especialistas e jornalistas e numa ameaça geral e obscura à população. Todo ocultista está mais ou menos ciente dessas atribuições e, portanto, mais ou menos conscientemente, ou se identifica com elas ou flerta com a rebelião contra essas atribuições de papel. No entanto, ele permanece tão incapaz de se desprender quanto Crowley e Thelema não conseguem se livrar da odiada cristandade.
Assim como os papéis precisam ser aceitos e a institucionalização e a formalização começam a co-determinar a experiência, a tendência ao isolamento na vida dos ocultistas se intensifica. Os rituais consolidam o sentimento de alienação e ele começa a fixar-se. Esse processo de congelamento acompanha a adaptação exigida pela sociedade ou mesmo se transforma em um substituto da adaptação.
Consequentemente, um efeito de eco atinge os ocultistas e a sociedade e eles e seus críticos começam a entrincheirar-se.
Quanto mais se imagina que ocultistas estejam por aí, mais especialistas e jornalistas consideram sua própria identidade válida e vice-versa. Dentro do reservatório de crenças que lidam com conspirações alucinadas, o facto encolhe e se dissolve num redemoinho de informações manipuladas, escritas na água e onde todos os envolvidos confundem com terreno sólido.
Por causa da progressiva rigidez de atitude e da perda de jogo, as partes opostas parecem congeladas. Os rituais da O.T.O. parecem ridículos e vazios, os especialistas e jornalistas parecem fanáticos e obstinados (a menos que sejam ocultistas de armário arrumando a sua religião ou ordem para o mainstream ou para a academia).

O estigma externo pode transformar-se em distinção interna. Quanto mais o grupo é tratado como desviante, mais a desviância pode ser convertida em prestígio dentro do próprio grupo. A autoapresentação resultante provoca então novo estigma. A identidade outsider torna-se assim uma forma de capital social.

Essa amostra não deve ser tratada como retrato demográfico dos membros da O.T.O. em geral; seu valor aqui é o de um retrato detalhado de uma única loja, numa única cidade, num momento histórico específico.


Em 1994, Claudia Kowalchyk embarcou numa pesquisa de um ano na loja nova-iorquina da O.T.O. do Califado e, subsequentemente, escreveu "A study of two 'deviant' religious groups: The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis". Nota: Este estudo acadêmico investiga apenas o Califado em Nova York. O resultado pode ser resumido declarando que os membros são em sua maioria brancos, bem educados, foram criados no catolicismo romano, não têm filhos e têm, em média, 36 anos de idade. Sua permanência nesta O.T.O. dura, em média, meros seis anos e meio, e entre eles há significativamente mais homens do que mulheres. Algumas das mulheres, sofrendo as consequências do abuso sexual, percebem que só neste grupo da O.T.O. a sua situação é reconhecida. Muitos membros passaram por uma infância miserável e encontram uma espécie de terapia na O.T.O. Alguns até conseguem abandonar hábitos de droga devido à sua adesão. Estes são resultados resumidos fortemente abreviados do estudo de Kowalchyk, que também afirma que a perspectiva otimista dos thelemitas aliviou o sofrimento de seus medos existenciais. [16] Em lugar de sentimentos de isolamento da sociedade, ser membro da O.T.O. oferece uma espécie de protecção dentro do próprio estigma. O não conformismo funciona como um escudo contra o estigma.
Dentro da microssociedade da O.T.O., permanece-se parte da sociedade e aqueles que estigmatizam são considerados inferiores e de menos valor, sejam autoridades, mídia ou colegas de trabalho. [17]

De acordo com a pesquisa da Sra. Kowalchyk, a O.T.O. do Califado atrai acima de tudo para jovens com uma história de lares problemáticos, relacionamentos difíceis e uso de drogas, que também se apresentam como autoproclamados fora-da-lei, embora aceitem completamente os limites do conjunto de leis estatais ou governamentais, agindo de acordo com elas.
Juntar-se aos grupos da O.T.O. poderia satisfazer o desejo de cumprir o papel de fora-da-lei ou de confirmar essa identidade autoproclamada. [18] O interesse público nas actividades da O.T.O. manifesta-se em numerosas publicações que apontam declarações antidemocráticas e antissemitas, por exemplo, na obra de Crowley, bem como em passagens que possivelmente perturbem "a paz religiosa". Alguns jogos de papéis — como a crucificação de um sapo conforme prescrito para a iniciação no VI° de Crowley - podem infringir a lei de protecção dos animais.
Com a propagação de drogas peculiares e exóticas, a "bíblia" de Crowley pelo menos desafia a lei criminal na maioria dos países, o uso dos Bolos de Luz contém sangue fresco que vai contra restrições destinadas a conter doenças contagiosas.
Pior ainda, alguns textos que defendem a liberdade sexual total, incluindo a respectiva educação sexual para crianças, abrem as comportas para fantasias de atos sexuais que são proibidos pela maioria dos sistemas judiciários. [19]

A Sra. Kowalchyk também argumenta que Thelema funciona em parte como uma terapia de sucesso para uma série de problemas. Os membros provenientes de lares parentais problemáticos recebem um aumento imediato de poder, bem como uma identidade dentro de uma comunidade de eleitos com interesses semelhantes. Recebem a afirmação do que de alguma forma souberam desde a mais tenra infância, ou seja, que pertencem a algo melhor, especial, superior e singular. Eles têm orgulho de serem membros da ordem. O estigma escolhido por si mesmos da comunidade da O.T.O. é cultivado, o papel do incompreendido e do excluído é desfrutado, a imagem do "bad boy" cultivada. No trabalho, no escritório, a pessoa apenas morde a língua sempre que é repreendida pelo patrão. Em casa, no templo, livramo-nos de problemas cotidianos desagradáveis, evocando-os em rituais mágicos ou discutindo-os com um ser sobrenatural que, em troca, oferece declarações misteriosas. [20]


Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, front page 1 Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, front page 2


Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, page 444 Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, page 27


Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, pages 55, 93, 103, 208 Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994, pages 209, 283, 302, 393

Claudia Kowalchyk, A study of two 'deviant' religious groups. The Assemblies of God and the Ordo Templi Orientis, NY 1994.
Citações: páginas 444 (tabela 1), 27, 55, 93, 103, 208, 209, 283, 302, 393.



Eu acho que o conceito de Thelema atrai pessoas com uma autoimagem positiva exagerada, uma inclinação para a auto-ilusão (homo est deus) e um esforço para a perfeição com um toque marcial (pois apenas os fortes sobreviverão). [21]

Ordo Templi Orientis Caliphate Styles of Address

[Retirado de 'Noch Mehr Materialien Zum O.T.O.']


A realidade velada dentro da qual muitos thelemitas estão vivendo (seu meio social e culturalmente prejudicado) os força a uma identificação com Crowley, a quem dificilmente se pode, ou por nenhum esforço da imaginação, atribuir uma personalidade coerente.

A identificação com o fundador de uma religião cuja bíblia defende a ingestão de "vinho e drogas estranhas", que encontra euforia religiosa consumindo esperma em saunas, é alimentada pela própria biografia cheia de questões relacionadas ao ego, sexo e drogas. Semelhante a algumas outras novas religiões não mencionadas aqui, a terminologia da visão de mundo thelêmica visa a eliminação do pensamento racional e à conformidade social. Quase parece que esta forma de camuflagem é o verdadeiro significado ou como se costuma dizer: "O método da ciência, o objetivo da religião."


Fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis Fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis

"Magickal Link" III;3, Berkeley, março de 1983

A ideia de terapia no contexto da O.T.O. se for o caso, poderia ser aplicada em relação a uma adaptação à norma social.
Os thelemitas da O.T.O. falam de família, [22] dever, privilégios e o desejo de fazer do mundo um lugar melhor (com o máximo de sexo possível, como me foi dito pessoalmente por um IX°). Por que então os thelemitas estão tão preocupados em conjurar demónios, deuses egípcios e, portanto, bastante mortos, por que eles estão realizando rituais que lembram o desempenho das crianças da Família Addams em produções escolares ruins?
Tudo isso parece girar em torno de estereótipos bloqueados. [23] Semelhante ao que Nietzsche, admirado pelos thelemitas, criticou no que diz respeito à cultura ocidental: o vazio da própria cultura é preenchido por hábitos exóticos, artes, filosofias, religiões e ciências. Os ocultistas são enciclopédias errantes dentro de seu próprio universo.

Onde dinheiro e posses já não contam como capital, conta o conhecimento das técnicas ocultas. Thelema como um sistema complexo e elitista que bajula a inteligência dos thelemitas e eleva seu status e autoestima, não necessariamente aos olhos de uma corrente dominante amplamente desinteressada, mas entre si e dentro da comunidade ocultista mais ampla que, claro, não consiste apenas em thelemitas. O ocultismo moderno é um produto da mídia de massa que inclui a internet, e toda e qualquer declaração sobre ocultismo é observada de perto pelos próprios ocultistas e seus observadores. Assim, todas as atividades contêm o flerte constante com a ideia de publicação, de público e de auto-representação.

Os fetichistas da ciência frequentemente bloqueiam questões sexuais ou relacionadas a drogas ao lidar com o estilo de vida e a motivação dos ocultistas. Assim, de facto, observadores de seitas e cientistas auxiliam os magos sexuais e os Espermo Gnósticos a forçar a sexualidade de volta à mente inconsciente. Dessa forma, a irracionalidade é mistificada e isenta de reflexão à medida que os conceitos irracionais fogem das receitas secas da academia. [24]
Os chamados vigilantes de seitas, geralmente autoproclamados cientistas, podem escolher entre um conjunto mais amplo de funções oferecidas pela sociedade.

Mesmo assim, eles também precisam relegar a ameaça da sexualidade ao inconsciente. Parece-me que é então substituído pelo chamado satânico.
A delegação ao inconsciente, ou seja, o cultivo de ideias megalomaníacas e delírios de grandeza não só dá origem à manipulação da percepção, mas pode ir tão longe quanto à delegação de estudos escritos sobre o assunto a pessoas de dentro.
Segurar a batata quente é queimar os próprios dedos. Foi o que aconteceu com o editor de uma enciclopédia sobre os bispos gnósticos. Suas respostas às minhas perguntas sobre o conteúdo cresceram de evasivas para totalmente bizarras, até que finalmente ele confessou e admitiu que seus alunos haviam inventado tudo.

A resposta de outra pessoa à minha pergunta se ele tinha lido minha obra principal: [25] "Não, lamento dizer que não li seu livro, mas comprei, o que pelo menos é importante (para a editora)." Isso depois que essa pessoa publicou uma longa resenha exatamente sobre aquele livro.
Portanto, parece perfeitamente normal que as resenhas ou prólogos sejam escritos como favores, ao passo que, em particular, o revisor admite que não estava interessado no tópico ou em negação do problema. Estou ciente de um professor bastante famoso que alugou seu nome em troca de uma grande soma para que uma obra de referência contemporânea usasse seu nome a fim de aumentar seu prestígio.


Jogo de papéis

Agora eu gostaria de ilustrar os papéis dos envolvidos. Vamos prosseguir com os primeiros trabalhos de Leo Navratil sobre Esquizofrenia e Arte (Alfred Bader e Leo Navratil: "Zwischen Wahn und Wirklichkeit", Verlag Bucher, Luzern e Frankfurt 1976). Ele descreve seus pacientes vivendo dentro de um sistema alterado de percepção religiosa e autorreferência. Isso pouco tem a ver com a anamnese ou com a avaliação do caso. O aspecto religioso é apenas uma expressão possível do transtorno, mas não o transtorno em si.
Ao lidar com vítimas de abuso ritual, deve-se tomar cuidado com o erro de declarar que a expressão da desordem (na verdade, o contrapeso pretendido para restabelecer a melhor ordem possível) é a própria desordem. Assim como o desenho de um esquizofrénico não é a doença.
Vamos construir um exemplo: num episódio, uma pessoa esquizofrênica faz um desenho no qual copia Brigitte Bardot de uma imagem de uma revista.
Não importa o que o espectador pensa de Bardot: ela não é a causa da esquizofrenia, nem o gatilho do ataque, nem o próprio transtorno esquizofrénico.

Mas é exatamente esse tipo de confusão acima que alguns especialistas e jornalistas parecem sucumbir. Eles não reconhecem que um transtorno psicológico busca diferentes formas de expressão. Em vez disso, eles convertem a expressão em seu valor nominal na causa do distúrbio que pode ser a consequência de um trauma. A expressão não é prova de que tenha existido qualquer trauma. Tampouco prova que o trauma tenha sido causado por satanistas.
É tarefa dos especialistas oferecer fatos sobre Brigitte Bardot ou sobre a O.T.O. e cabe aos jornalistas noticiá-los sem preconceitos.
É responsabilidade da polícia e do judiciário investigar os crimes. Se houver indícios nesse sentido.






Representação não é causalidade. Uma imagem ocultista pode fornecer o vocabulário no qual o sofrimento é expresso; por si só ela não prova que o ocultismo causou esse sofrimento, nem que o acontecimento representado tenha realmente ocorrido.



O circuito fechado

Tomados em conjunto, fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis formam um sistema de retroalimentação. O fetiche investe o aparelho de um excesso de valor; repetição e auto-indução produzem a experiência esperada; o jogo de papéis dá a essa experiência uma forma social visível; o estigma estabiliza a identidade resultante. O círculo, portanto, não é apenas desenhado no chão. É também psicológico e social: um aparelho que produz continuamente as provas da própria necessidade.

O mago cria o ritual. O ritual cria o mago.



Ordo Templi Orientis — Swing — 93gamesstudio — Reality in a Game — Keith Taylor
Fonte: Keith Taylor http://www.93gamesstudio.com



AMORC A.M.O.R.C. American English Pulp Magazine Science Fiction Fantastic Universe Amazin Stories The Rosicrucians Spencer Lewis Antiquus Mysticus Ordo Rosae Crucis or Ancient Mystical Order of the Rosy Cross AMORC A.M.O.R.C. Deutsch German Pulp Magazin Silber Grusel-Krimi Dan Shocker Die Rosenkreuzer Spencer Lewis Antiquus Mysticus Ordo Rosae Crucis oder Ancient Mystical Order of the Rosy Cross



Notas de referência



[1] Baseado em Andreas Huettl, Peter–R. König: "SATAN – Jünger, Jäger und Justiz", Grosspösna 2006. Ver páginas 195, 330, inter alia. https://www.parareligion.ch/hispeed/english.html.


[2] https://www.parareligion.ch/white.htm#_edn33.


[3] Veja também https://www.parareligion.ch/mcdonald.htm.


[4] https://www.parareligion.ch/dplanet/or/or9b.htm.


[5] "Consentimento informado, liberação e indenização", (versão de 13. 4. 2011) Crianças pequenas não se tornam membros da O.T.O. do Califado. As crianças não são iniciadas porque não têm a experiência completa de uma infância completa. Para eles, os rituais não seriam mais do que uma espécie de excursão com os pais e, portanto, sem o verdadeiro caráter de uma iniciação.


[6] Como muitos rituais maçônicos e pseudo-maçônicos, assim também aqueles da O.T.O. de Crowley, contêm juramentos de morte e seções que podem ser descritas como psicodrama ou assustador, os oficiantes são encorajados a reagir a tais passagens com uma "risada contagiante." E-mail sem data de William Heidrick, que também gosta de apontar consequências astrais e cármicas após a violação de um juramento - significando a morte dolorosa de Karl Germer, https://www.parareligion.ch/sunrise/book.htm.


[7] Jerry Cornelius, e-mail, 15.10.2005.


[8] "Neshamah" I;2, Sacramento março 2008 e sua menção em "An Introduction to Pastoral Counseling in E.G.C./O.T.O. Settings" por David G. Shoemaker em http://lib.oto-usa.org/, Agapé, Volume 10;1.


[9] Não é idêntico ao IX° da O.T.O.


[10] Karl R.H. Frick: "Das Reich Satans. Satan und die Satanisten 1", Graz 1982, página 224 e seguintes.


[11] http://www.ashami.com/ eidolons/A_Guide_to_the_Office_of_Deacon, http://www.bibliotecapleyades. net /crowley/lies/47.htm.


[12] A seguinte orientação para um rito, desenvolvida em 1913, contém uma linha final que parece sair do contexto: "Nenhum som será ouvido, exceto este teu rugido de êxtase de leão; sim, este teu rugido de êxtase de leão". http://sacred-texts.com/ oto/lib66.htm
A linha ou se refere à posição do leão de Hatha-Yoga (Simhasana) ou pode ser uma alusão irônica à epístola de 1 Pedro 5:8: "Esteja alerta e de mente sóbria. Seu inimigo, o diabo, ronda como um leão que ruge procurando alguém para devorar."


[13] "Continue tentando descobrir onde T.Reuss está enterrado." "se pudermos encontrar seu túmulo, desenterrá-lo e recuperar o crânio e alguns ossos, e devolvê-los a G.L. [Grand Loge], muito poder se manifestará em toda a ordem." Christopher Dietler/Zardoz para Walter Jantschik, cartas de 2.6.1983 e 18.3.1983.


[14] Primeira edição 1933, reimpressão, Pähl, 1970. Criticando a lista de santos citados na Missa Gnóstica de Crowley, a Sra. Ludendorff também toca no contexto do fetichismo: "Aqui, só precisamos mencionar - como em todos os ensinamentos ocultos, então aqui, também - que aqueles ainda surpresos com o desagradável e desavergonhado, bem como com o absurdo, são 'humilhados' por uma lista de nomes de grandes homens do passado, supostamente tendo sido membros da ordem. Exatamente como na Igreja Cristã e como na Maçonaria, neste caso, o seguinte é indicado a eles: 'Vocês desejam ser maiores do que eles, mais sábios do que aqueles grandes homens que acreditaram nisso', assim dizem os sacerdotes, e é isso que a lista deve afirmar. Humildemente a vítima começa a preferir duvidar de seus próprios valores ao invés dos ensinamentos em que tantos grandes nomes, tantos espíritos nobres acreditavam. Então, assim como nas lojas maçônicas, uma longa fila de tais homens é orgulhosamente listada na O.T.O., de homens que talvez nunca tenha feito parte dela ou ainda tinha sido pego de surpresa e, vinculado por juramentos, não foi capazes de 'tirar seus nomes do livro' como quase sempre é decretado por essas ordens secretas. Antes que a comunhão blasfema comece, o sacerdote nomeia os grandes sábios de todos os séculos que supostamente pertenceram à ordem. 'Wolfgang von Goethe, Ludwig, Rei da Baviera, Richard Wagner, Ludwig von Fischer, Friedrich Nietzsche' estão listados entre os alemães. Obviamente, a comunidade não consegue verificar onde está a mentira e se admira por estar em tão ilustre companhia. Isso, novamente, é da maior importância para consolidar a embrutecimento dos discípulos artificialmente enfermos, pois agora em suas almas eles alteram os termos de sabedoria e absurdo. O que antes pensavam serem bobagens, agora consideram sábio, o que parecia prudente, claro e sábio, agora tomam por doutrina sem valor e falsa. Mas esse é exatamente o ponto de quem conscientemente embrutece as pessoas! E, para esse fim, realmente vale a pena ter atraído os sábios do passado para a ordem, contando-lhes grandes histórias sobre ensinamentos e objetivos totalmente diferentes, assim como fizeram com nomes como Frederico, o Grande, Fichte, Lessing, Mozart, entre outros, atraindo esses homens para as lojas apenas para mais tarde manter um silêncio cuidadoso sobre sua profunda decepção!", reedição de 1970, p. 90.


[15] O desencadeamento de emoções fortes, atividades hiperintensas, estímulos situacionais (parafernália religiosa ou sexual) aumentou o tempo presente e reduziu a orientação do tempo passado e/ou futuro.


[16] Um estudo semelhante na área de língua alemã: Gerhard Mayer: "Arkane Welten. Biografien, Erfahrungen und Praktiken zeitgenössischer Magier", Würzburg 2008. Volume 6 de "Beiträge zur wissenschaftlichen Erforschung aussergewöhnlicher Erfahrungen und Phänomene", comissionado pelo "Institute for Frontier Areas of Psychology and Mental Health", uma sociedade registrada. O termo "Regiões Fronteiriças da Psicologia" ["Grenzgebiete der Psychologie"] foi cunhado por Oscar Schlag, https://www.parareligion.ch/schlag.html e https://www.parareligion.ch/sunrise/schlag1.htm.


[17] Nichos na sociedade, como religiões alternativas (emergentes), onde são capazes de definir seu status econômico, cultural e social, são ocupados por boêmios modernos, elites que se autodenominam e autodenominados foras da lei.


[18] "O ocultista busca o domínio do mundo e oscila ambivalentemente entre a destruição da cultura (por meio da resistência à moralidade dominante) e a preservação das culturas do Alto e da Massa (já que ele exige suas tradições mágicas). Não existe alternativa a essa reivindicação totalitária no mesmo nível, ou com a mesma reivindicação de significado. É por isso que o ocultista oscila entre a busca transcendental de antecipação cultural e sua contraparte, uma esperança de destruição da cultura existente." https://www.parareligion.ch/ecstasy.htm.


[19] "Além disso, a Besta 666 [Crowley] avisa que todas as crianças devem estar acostumadas desde a infância a testemunhar todo tipo de ato sexual." Israel Regardie: "The Law is for All", Arizona 1975, 114, http://hermetic.com/ legis/new-comment/. Crowley: "Deixe as crianças se educarem para serem elas mesmas. Aqueles que as treinam de acordo com os padrões os aleijam e deformam." "On the Education of Children", em: "The Revival of Magick", Tempe 1998, sekhetmaat.com/wiki/ Documents/On_the_Education_ of_Children. Crowley sobre um menino: "Enquanto o outro em seu orgasmo recebe as águas." "Que não seja pecado para nós ter sodomizado o vagabundo." "Enquanto o sacerdote empurra seu tirso entre as nádegas do menino, Tudo está consumado; venha Santa Pomba!" http://bluepyramid. tripod. com/index/id4.html. "The Equinox" IV; 2, Maine 1998, 405.


[20] Veja Huettl/König, SATAN, p. 267: A Sra. Kowalchyk não é membro. Antes que ela pudesse começar seu estudo, todos os membros da O.T.O. do Califado tiveram que obter permissão do chefe deles - William Breeze -, permitindo que eles falassem com ela. A Sra. Kowalchyk procedeu da maneira tradicional. Ela visitava as reuniões da loja, entrevistava regularmente membros e comparava suas descobertas com as de outro "grupo religioso desviante", um agrupamento cristão-fundamentalista. Claro, pode-se presumir que a presença da Sra. Kowalchyk influenciou muito o comportamento dos membros da O.T.O. O cenário por si só influenciou esses membros. Temos aqui um grupo religioso especial marginalizado, oficialmente pesquisado por um cientista, cujos membros estão sob tal pressão que precisam buscar a aprovação de seu Patriarca e da "Santa Majestade". Certamente nada de prejudicial à imagem acontecerá nem será mencionado que o cientista possa notar. O problema com a maioria dos cientistas escrevendo sobre Crowley ou a O.T.O. é que eles não têm assuntos internos à sua disposição, mas sim conduzem conversas superficiais com os membros sobre as publicações disponíveis nas livrarias, os boletins que também os não membros recebem. Portanto, evidentemente, todas as dicas sobre sexo e drogas simplesmente passam pelo quadro.
- Então, o que foi surpreendente durante a leitura deste estudo foi a omissão do consumo de drogas e a falta de discussão sobre questões sexuais. O estudo de Kowalchyk retrata esses thelemitas como caretas inibidos que até usam salas separadas de acordo com os sexos ao mudar as roupas para os rituais. Outro ponto em que discordo da Sra. Kowalchyk: ela menciona particularmente a atitude otimista dos thelemitas em relação à vida. Eu vejo isso de uma maneira completamente diferente. Para mim, Thelema é profundamente pessimista, somatofóbica com suas leis rígidas, fatalista em sua crença nos atos desconhecidos e insondáveis ​​dos deuses e oferece apenas uma simulação de curto prazo e muito limitada de estar de bom humor. O que se deve pensar sobre sexo livre, desde que todo orgasmo deva ocorrer "sob a vontade" ou deva ser vivenciado como um ato religioso? E quão alegre é experimentar o corpo enquanto direciona seus pensamentos para um objetivo mágico durante o orgasmo?


[21] Por exemplo: "Os fracos, os tímidos, os imperfeitos, os covardes, os pobres, os chorosos — estes são meus inimigos, e Eu sou vindo para destruí-los." Liber Tzaddi, 25, http://www.sacred-texts. com/oto/lib90.htm.


[22] Na O.T.O. Suíça os laços familiares são vistos como obstáculos. Dentro do Califado, a família tradicional é discutida no que diz respeito aos rituais sexuais: "O sexo ocasional [sic], é claro, depende dos indivíduos envolvidos e, em alguns casos, os oficiais podem ser escassos; mas a natureza humana mostra que um casal casado ou vinculado é um risco para a estabilidade de ambos, família e do corpo oficial, nas duas patentes de oficiais do corpo. Onde for conveniente, é melhor ter oficiais de unidades familiares diferentes [...] Aconselhamento sobre casamento [sic] não é uma atividade apropriada, sendo basicamente intromissão." "Magickal Link" III; 3, Berkeley, março de 1983.


[23] Aqui eu excluo deliberadamente a Typhonian O.T.O.. Na T.O.T.O. não há títulos, hierarquias, rituais institucionalizados, não há culto à personalidade.


[24] Durante o mesmo período em que a ocultura começou a se espalhar dentro da academia ou vice-versa: quando a academia começou a se apropriar da ocultura, a internet se tornou parte do mainstream. Enquanto a academia ocultista permanece em dívida com elementos de um mecanismo reacionário, como prestígio e dinheiro, a internet rompe a monopolização do conhecimento e permite que uma espécie de lixo pós-moderno flua livremente para as salas de estar. No entanto, o valor do conhecimento, bem como o valor da arte uma vez que, E de acordo com Marcel Duchamps e Joseph Beuys, pode ser encontrado em todos os lugares, também foram sujeitos a transformação.
Na área das artes, as instalações, as performances e os locais de encenação (galerias, museus) substituíram a velha tradição do original, enquanto, por outro lado, a internet transforma qualquer pessoa em especialista e torna o conhecimento replicável ad infinitum. Uma nova lacuna tecnológica cultural se abre, aparentemente permitindo uma distinção entre o sério e o duvidoso. Qualquer coisa impressa em papel é considerada séria, enquanto qualquer coisa que apareça em uma tela é considerada espúria. A academia se encontra sob pressão e as enciclopédias originadas nos círculos incestuosos dos acadêmicos do ocultismo proliferam cada vez mais rápido. Gera-se assim a paralisação intelectual, o conservadorismo radical, a anti-curiosidade. Abertura e perguntas são substituídas por modelos: Ocultista contemplador-do-umbigo. Veja também "Versão Jogo de uma O.T.O. – Fatamorgana" em https://www.parareligion.ch/2021/playgame_port.htm.


[25] The O.T.O. Phenomenon REMIX: a versão anterior dos três volumes atuais de The O.T.O. Phenomenon RELOAD.



© Peter–Robert Koenig, July 2011.
Esta é uma versão resumida e traduzida, retirada de um sub-capítulo de Der O.T.O. Phänomen RELOAD.
Tradução por Luiz Vieira, dezembro 2021.

English version: Fetish, Self-Induction, Stigma and Rôleplay
Traduction française: Fétiche, auto-induction, stigmatisation et jeu de rôle.
Traduzione italiana: Il feticcio, l’auto-induzione, lo stigma e il gioco di ruolo.
Tradução portuguesa: Fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis.
Tlumaczenie polskie: Fetysz, autoindukcja, stygmat i odgrywanie ról
По русски: Фетиш, самоиндукция, стигма и ролевая игра.


Veja também a fotografia de Aleister Crowley em uma Missa Gnóstica.





Traduções portuguesas

Peter-R. Koenig: Introdução à Ordo Templi Orientis.
P.R. Koenig: Os Espermo-Gnósticos e a Ordo Templi Orientis.
P.R. Koenig: Criação Extática de Cultura.
P.R. Koenig: A Aura do Fenômeno O.T.O.
P.R. Koenig: O Ambiente do Reich dos Templários — Os Escravos Servirão.
P.R. Koenig: Fetiche, auto-indução, estigma e jogo de papéis.
P.R. Koenig: Versão Jogo de uma O.T.O.–Fatamorgana.
P.R. Koenig: Carl Kellner Jamais um membro de qualquer O.T.O.
P.R. Koenig: Theodor Reuss: Avô da Sociedade Antroposófica?
Theodor Reuss: Programa De Construção E Princípios Orientados Dos Neocristãos Gnósticos O.T.O. 1920.
T. Reuss: I° Grau.
P.R. Koenig: Carl Willian Hansen – Dinamarca.
P.R. Koenig: The History of the O.T.O. in America.

Documents on Oscar R. Schag in the context of Jane Wolfe, Marcelo Ramos Motta, Karl Germer, Hermann Joseph Metzger.

Marcelo Ramos Motta: Ritual de Iniciação do Grau I O.T.O.
Marcelo R. Motta: Carta A Um Maçon.
  • Marcelo R. Motta: Lettre à un maçon brãsilien.
  • Marcelo R. Motta: Letter to a Brazilian Mason UNEXPURGATED.
  • Bibliographic Note and Addendum to "Letter to a Brazilian Mason by Marcelo Ramos Motta".
    Marcelo Ramos Motta to Karl Germer, July 2, 1954.
    Marcelo Ramos Motta about Paulo Coelho and others.
    Marcelo Ramos Motta: The Development of a Secret Society in America in the Years 1957-2000.

    P.R. Koenig: O Conquistador do Graal.
    P.R. Koenig: Uma O.T.O. no Brasil.
    Euclydes Lacerda de Almeida - Marcelo Ramos Motta - Kenneth Grant: Documentos 1966-1997.
    Marcelo Motta palavras com Euclydes Lacerda de Almeida, 18 de dezembro de 1973.
  • Translation of Marcelo Motta's tape to Euclydes Lacerda, dated 1973.
  • Euclydes Lacerda de Almeida: Marcelo Ramos Motta — Um Enigma.
    Claudia Canuto de Menezes: Conheci Marcelo Ramos Motta nos idos anos 70.
  • Claudia Canuto de Menezes: I met Marcelo Ramos Motta in the 70’s.
  • Euclydes Lacerda de Almeida: Emails to P.R. Koenig.
    Marcelo A.C. Santos: A Verdadeira História do "Califado" no Brasil.

    Kenneth Grant/Eugen Grosche: Manifesto da Ordem Interna "O.T.O." Orientis Britânia 1955.
    P.R. Koenig: Kenneth Grant e a O.T.O. Tifoniana.
    P.R. Koenig: Plano 93 do Espaço Exterior.
    Michael Staley: O.T.O. Tifoniana — Uma Breve História.
    Kenneth Grant: Concernente ao Culto de Lam.
    Michael Staley: Lam: O Portal.
    Michael Staley: Um Instrumento de Sucessão.
    Michael Staley: Ã Um Vento Ruim que Sopra ...
    Michael Staley: Lam Workshop.
    Simon Hinton: Sua totalidade na Mente.

    Fernando Liguori: Influência Tifoniana.
    Fernando Liguori: A Influência Tifoniana na O.T.O. Brasileira.
    Fernando Liguori: A Tradição Tifoniana.
    Fernando Liguori: Ritual da Estrela Nu-Isis.

    P.R. Koenig: In Nomine Demiurgi Saturni.
    P.R. Koenig: Saturno-Gnose: A Arte de Amar e Viver.
    Fraternitas Saturni: A apresentação solene do Anel de Loja.
    Walter Jantschik: Magia Sexual Licantrópica.
    Walter Jantschik: A Animação do GOTOS.
    Walter Jantschik: A Ordo Baphometis. Uma ordem mágica hermético-gnóstica.


    Michael Staley, 2003: "Não existe 'Typhonian O.T.O.' Brasileira; nem nada semelhante a isto. Ninguém está autorizado a representá-la em nosso nome, ninguém tem nossa bênção. Todas e quaisquer alegações são fraudulentas."
  • Michael Staley, 2003: "There is no Brazilian 'Typhonian O.T.O.'; nor is there likely to be. No-one is authorised to act on our behalf, no-one has our blessing. All such claims are fraudulent."




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